Benê Silva, ator de 1º “Hair” e cineclubista em Embu, é homenageado pela Câmara

Por Assessoria de Comunicação | 24/02/2011


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O ator, dramaturgo e cineclubista mineiro Benê Silva morreu de complicações decorrentes de um câncer na garganta, na última segunda-feira, 21 de fevereiro, aos 69 anos, no pronto-socorro Central de Embu, e foi sepultado no Cemitério Vale dos Reis (rodovia Régis Bittencourt), em Taboão da Serra. Benê Silva chegou a Embu há alguns anos, passando a integrar a vida cultural da cidade, ligando-se e militando rapidamente no movimento por políticas públicas culturais.

Muito ativo, criou o Cineclube de Embu das Artes, levando a sétima arte a vários bairros da cidade. No ano passado, sua entidade foi uma das escolhidas por edital para abrigar um “Ponto de Cultura”, com apoio da prefeitura e verba do governo federal, em reconhecimento a seu trabalho.

No Embu cultivou amigos, como Raquel Trindade, Renato Gonda, Charles Brait, Solemar, Ney Silva e Alexandre Oliveira, entre outros. Gonda, Brait e Ney estiveram à frente da homenagem na Câmara.

Atuação marcante
Nascido em 16 de agosto de 1942 em Uberaba (MG), Benedito Vicente da Silva foi ator, dramaturgo e cineclubista, estudou artes cênicas na EAD (Escola de Arte Dramática de São Paulo), fez parte do TEN (Teatro Experimental do Negro) na década de 1950, no Rio de Janeiro, com a atriz Ruth de Souza.

Em 1969, o dramaturgo Plínio Marcos citou Benê como um ator negro que poderia ter sido escolhido para o papel de “Pai Tomás” em uma novela da Globo, "Cabana do Pai Tomás" (1969-1970). A emissora carioca preferiu, porém, escolher um ator branco (Sérgio Cardoso - 1925-1972) e "tingir o panaca de preto", nas palavras de Plínio, em vez de colocar um negro no papel principal.

Dizia Plínio Marcos, no jornal Última Hora (RJ): “O Sérgio Cardoso é o cara que vai se prestar ao triste papel de se pintar de preto pra fazer o ‘Tomás’... enquanto Samuel, Dalmo Ferreira, Benê Silva (formado pela Escola de Arte Dramática), Milton Gonçalves, Antônio Pitanga, Carlão Caxambu e tantos outros atores negros, de valor provado, ficam pegando as rebarbas das quebradas da vida”.

A partir dos anos 1970, Benê participou como ator em diversas produções cinematográficas, no Brasil e no exterior. No Brasil, por exemplo, participou do filme “A Filha do Padre” (1975), dirigido por Tony Vieira.

Foi um dos grandes destaques da primeira montagem brasileira da ópera-rock “Hair”, entre 1969 e 1971, de estrondoso sucesso, em cujo elenco estavam também Sônia Braga, Aracy Balabanian, Neuza Borges, Armando Bógus (1930-1993), Ariclê Perez (1943-2006), entre outros atores.

“Hair” se revelou um manifesto teatral e musical em repúdio à guerra, em geral, e à participação dos Estados Unidos na guerra do Vietnã (1959-1975), em específico. Nos EUA, o espetáculo foi transformado em um filme de longa metragem, com grande sucesso mundial.

Parte da peça pode ser vista em fotos e som original da canção “Aquarius” interpretada pelos atores brasileiros, entre os quais Benê Silva, em http://wn.com/hair__aquarius__musical_vers%C3%A3o_brasileira__1969 .

Nos últimos anos, Benê radicou-se no Embu, criando o “Cineclube de Embu das Artes”, oficializado em 10 de setembro de 2006, agitando a cena cultural, participando de todas as iniciativas, debates, fóruns de discussões relativos à promoção cultural na cidade.

Na cerimônia de inauguração das atividades do Cine Clube Embu das Artes, foi exibido o filme “Vida de Artista”, produção e direção do cineasta João Batista de Andrade, então Secretário Estadual de Cultura, que fez questão de participar pessoalmente do evento, a convite de Benê.

De 13 de setembro a 2 de outubro de 2006, no mesmo Centro Cultural, foi realizada a 1ª Mostra de Filmes Brasileiros de Embu das Artes, quando foram exibidos diversos filmes nacionais.

Benê Silva abre uma lacuna no movimento cultural de Embu, deixando dezenas de amigos e admiradores de seu talento, espírito rebelde, de luta e de vida. Segundo seus amigos, ele sempre dizia estar com sede, adorava beber com os amigos, mas alertava: “Não bebo o meu juízo”.

Quando perguntavam o que ele pensava sobre si mesmo e sua obra, dizia apenas: “Eu, embora seja negro, não sou um negro do movimento. Eu sou um negro em movimento”.

(Márcio Amêndola, com colaboração de Adilson Oliveira – Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Embu)

 

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