Artista alemão radicado em Embu elogia "Cidadania em Ação" com 3 mil atendimentos

Por | 1/03/2011


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Entre as ruas dos Coqueiros e Carnaúba, em frente à escola Maria Antonieta Martins de Almeida, o projeto ofereceu serviços como vacinação, medição de pressão arterial e diabetes, doação de cães e gatos, exame de papanicolau, cabeleireiro e manicure, emissão de carteira profissional, primeira via de documento de identidade e CPF, recreação para as crianças, assistência previdenciária e atendimento do Procon, Mini-Cidade do Trânsito, emissão do bilhete eletrônico de transporte e alimentação. Foram 3 mil atendimentos.

“Eu cheguei lá, tomei leite, comi bolo, frutas à vontade, não só eu, todo mundo teve o direito de comer naquela festa, produtos sadios feitos pelo pessoal do Banco de Alimentos. Mais tarde, houve o almoço que também foi show de bola”, disse Richard, 58, ao ser recebido na Assessoria de Comunicação, na sexta-feira, dia 25.

“Senti uma felicidade de ver o povo que anda em panos de trapos, pessoas humildes, se divertindo, sendo atendidas, com a possibilidade de tirar documentos, RG, tinha médicos atendendo”, enalteceu ainda. A ação foi parte dos eventos pelos 52 anos de Embu, completados em 18 de fevereiro.

“O que foi legal também foi o policiamento da nossa Guarda [Civil] Municipal, muito atenciosos. Tinha ainda no parque da escola um local para as crianças aprenderem educação no trânsito. Foi bonito ver aquilo, a Ciretran está de parabéns”, acrescentou.

Márcio Amêndola/CMETE
Richard, que tem orgulho de ter discípulos em Embu, visita a Câmara


O artista

Richard, nascido em uma pequena aldeia da cidade de Friburg, na Alemanha, chegou ao Brasil em 1978, a convite da Igreja Católica, para realizar trabalhos de artes plásticas e ensinar pessoas de Embu a aprender forjaria. “Tenho o orgulho de ter discípulos da minha arte aqui”, afirmou.

O artista passou a morar no Pinheirinho. "Para mim, o bairro mais importante de Embu, onde ensinei muitas pessoas. Recebo crianças das escolas municipais, particulares e do Estado em meu atelier, para que vejam como é o trabalho de um ferreiro que trabalha com forja artística”, contou.

Ele produziu trabalhos de forjaria em arte sacra para várias igrejas, na região, na capital e em Aparecida (SP), na basílica nacional, onde fez peças de círio pascal, castiçais e uma grade de 22 metros de comprimento com folhas de uva banhadas a ouro. “Esse é um dos trabalhos de que mais me orgulho”, diisse o artista, cujas obras também podem ser vistas em Embu.

“A Viela das Lavadeiras é minha, o Convento Imaculada também tem peças minhas, e muitos dos meus trabalhos estão em mãos de particulares. A placa de Embu das Artes na praça, com madeira e letras de ferro, é um trabalho meu”, listou. No centro histórico, participa desde quando chegou da feira de artes.

“Escolhi a cidade de Embu para morar, e, na verdade, me abraçaram. Lógico que hoje me sinto mais embuense do que alemão. Aqui ensinei muitas pessoas a trabalhar com o ferro, nunca fugi daqui”, disse.

O artista esteve em Santa Fé do Sul (642 km a noroeste da capital, na divisa com MS) com a Tônia do Embu para divulgar a “Terra das Artes”. “Fizemos uma série de trabalhos, a Tônia registrou, tem fotos desse trabalho lá.”

Richard casou em Embu, se separou e teve duas filhas – uma morreu, e a outra já tem 26 anos e trabalha na Secretaria de Educação. “São 32 anos de vida nesta cidade, quero morrer aqui, me joguem no rio para os peixes comerem, mas tem de ser no nosso rio, o Embu-Mirim. Meu desejo é igual ao do [artista plástico] Panayotis [1941-2011]. Termos um túmulo dos artistas, e lá em cima vamos todos jogar baralho”, disse.

(Márcio Amêndola e Adilson Oliveira - Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Embu)

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