Moradora defende em tribuna Escola Armando Vidigal para crianças com deficiência

Por | 31/10/2011


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Após protestos de professores, pais e alunos, a prefeitura teria acenado com a possibilidade de manter os dois serviços – escola e centro de convivência – juntos, no mesmo local, o que a comunidade não aceita, já que misturaria crianças com adultos, além do mesmo espaço ser destinado a atividades de duas secretarias, de Educação e de Saúde, expondo as crianças ao convívio com pacientes adultos, alguns com deficiências graves.

A prefeitura também estaria preparando a transferência das crianças para escolas comuns da rede municipal, num programa de inclusão do deficiente à vida cotidiana, junto a crianças sem limitações. Carmem disse que na metade dos casos isso não é possível. "Uma criança autista não pode ser colocada junto com outras 'normais', ela tem picos de agressividade e não interage com estranhos", explicou a munícipe.

Carmen disse que em 2009 a escola estava "abandonada", e que um grupo de mães mobilizou-se pela reforma da escola. A prefeitura finalmente atendeu ao pedido, e hoje a escola, no Jardim São Marcos, na periferia do município, está totalmente remodelada - a reforma levou seis meses e custou cerca de R$ 1 milhão e 300 mil, segundo a prefeitura. "Agora que ficou tudo bonito, querem tirar de nossas crianças a nossa escola?", indagou.

Fotos: Adilson Oliveira-CMETEA
Carmen em tribuna, grupo de pais no plenário e em reunião com vereadores para formar comissão para falar com Chico sobre escola

O presidente da Câmara Municipal, vereador Silvino Bomfim (PT), ao se dirigir à munícipe, elogiou a "atitude serena, sensata, de defender os pais por essa causa das crianças com deficiência". O vereador Luiz (do Depósito) Calderoni (PMDB) disse que espera realizar uma reunião com o prefeito Chico Brito (PT) "para saber o que acontece, mas, se for tudo da maneira como a Carmem colocou, não aceitaremos essa mudança".

João Leite (PT) disse que "temos uma dívida com as pessoas portadoras de deficiência, só se resolve conversando", dizendo ter certeza de que o prefeito Chico Brito encaminhará uma solução, já que a cidade também precisa de um centro de convivência e reabilitação para os deficientes. O vereador propôs que fosse tirada uma comissão de vereadores e pais da escola Armando Vidigal, para procurarem o prefeito a fim de resolver o impasse.

Júlio Campanha (PTB) elogiou a mãe e a comissão presente no plenário. “Parabéns pela coragem e ousadia de vocês, reivindicando o que é melhor para seus filhos. Compreendo vocês, porque sou irmão de uma pessoa especial, prefiro dizer assim, do que chamar de deficiente”, disse. O vereador sugeriu também procurar o prefeitol. “Vamos falar com Chico Brito, ver qual a ideia, o projeto dele, para chegarmos a um denominador comum.”

A vereadora Elisabete Carvalho, a Dra. Bete (PDT), disse conhecer o trabalho dos educadores e mães da Escola Armando Vidigal e explicou que em muitas reuniões foi reivindicada ao prefeito a construção de um centro de reabilitação, também necessário. Em Embu, faltam profissionais de fisioterapia e até um psiquiatra infantil, único profissional habilitado a ministrar remédios controlados para crianças com deficiência ou distúrbios mentais.

Mas a vereadora considerou também "um equívoco tirar um espaço da educação dos deficientes, para colocar outro da saúde no mesmo lugar". Ela sugeriu que o equipamento da saúde seja instalado no Centro de Especialidades do Jardim Independência, "que tem um monte de salas, não é o caso de desalojar uma sala na Escola Armando Vidigal para isso", sugeriu.

O vereador Aparecido Pereira, o Didi (PT), disse que "conviver com crianças sadias já é difícil, imaginem as pessoas que dependem de terceiros para sobreviver". Para ele, é preciso abrir um canal de diálogo entre prefeito, coordenações da saúde e da educação para achar o melhor caminho, e que este caminho deve ser feito juntamente com os pais de alunos.

PMETEA/Divulgação - 24.jul.10
Moradores ante o prédio na entrega de reforma; interior da escola

A vereadora Maria Cleuza Gomes, a Ná (PT), foi a mais contundente. Assistente social, disse conhecer Carmem há anos e respeitar sua luta. "Conheço essa escola desde que se chamava ‘Bem-Te-Vi’ há mais de 10 anos. Até precisamos de um centro de convivência e reabilitação, mas que busquem outro lugar. A Escola Armando Vidigal é de vocês, foi uma luta de vocês", afirmou.

"Carmem tem razão em dizer que não se pode misturar no mesmo espaço a saúde com a educação. Se vocês estão com dificuldade de falar com o prefeito, iremos lá juntos para falar com ele", completou Ná. A reforma foi entregue, em 2010, após reivindicação das mães por vários meses. "Vocês cobraram, sim - continuem cobrando -, mas sempre me deram um voto de confiança. Esta realização era um sonho também nosso", disse Chico.

O vereador José Carlos Proença (PSDB) também se solidarizou com os pais dos alunos especiais. "Tenho certeza de que o prefeito vai se sensibillizar. O problema do deficiente é uma questão séria, uma escola tão pequena, com uma demanda tão grande, não pode fechar", defendeu o vice-presidente da Câmara. O vereador Arthur Almeida (PSDB) também concordou, afirmando: "Espero o bom senso de sempre do prefeito Chico Brito".

Para Silvino, “tudo é importante, a escola, o centro de convivência, de recuperação. A reforma da escola foi fruto da luta de vocês, pais; só peço a compreensão e a paciência para retomarmos esse diálogo”. Ele lembrou que a cidade não tem um centro de reabilitação, obrigando pessoas acidentadas, tetraplégicas ou com deficiência mental grave a buscarem tratamento fora do município, “mas não dá para acabar com um espaço para abrir outro”.

Após os debates, a pedido de João Leite, a sessão foi suspensa para a criação - durante discussão na sala de reuniões da Câmara - de uma comissão de pais e vereadores, para procurarem o prefeito para uma solução viável para o impasse, que beneficie todos os lados envolvidos. O encontro deverá ser realizado em breve, dependendo da agenda do chefe do Executivo.

(Márcio Amêndola e Adilson Oliveira – Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Embu)

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