ParlaMet discute com secretário deficiências e soluções para transporte na região

Por | 14/05/2012


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Fernandes informou que a linha 4 do metrô (Vila Sônia – Luz) vai romper as divisas da capital paulista pela primeira vez na história, chegando a Taboão da Serra até 2017. Os municípios da região oeste têm reclamado cada vez mais da modalidade única de transportes – ônibus intermunicipais – nos corredores das rodovias Régis Bittencourt (BR-116) e Raposo Tavares, e o metrô poderá aliviar bem o sufoco vivido pela maioria da população usuária local.

Criado oficialmente há um ano, em maio de 2011, o ParlaMet reúne presidentes de Câmaras e vereadores, no total de 547 parlamentares, dos 39 municípios da região metropolitana de São Paulo, com objetivos de cooperação técnica e articulação política entre as cidades que compõem a maior massa urbana das Américas. A instância já discutiu resíduos sólidos (lixo), saneamento básico, revitalização de rios da metrópole, inclusive o Tietê.

O secretário estadual disse que o desafio de levar o transporte público a uma metrópole conurbada (dezenas de cidades aglomeradas juntas) com mais de 20 milhões de pessoas é muito grande. "O problema não é de espaço, mas de se saber usar bem este espaço, respeitando o meio ambiente", argumentou. Para ele, "é preciso gerar mais empregos perto das casas das pessoas, para que esses deslocamentos enormes não sejam necessários".

Vários vereadores e cidadãos presentes no encontro reclamaram dos abusos praticados por empresas de ônibus da região metropolitana e dos preços das passagens praticadas - altos -, reivindicando subsídios às empresas, para o barateamento dessa modalidade de transporte. Fernandes recusou subsidiar as empresas. "Subvenção para empresários é perigoso; vejam as subvenções aos usineiros de açúcar e álcool no que deu", afirmou.

Foto: Adilson Oliveira-CMETEA
Presidente Silvino (centro), secretário Jurandir Fernandes, Police Neto, da Câmara Municipal de São Paulo, deputado Geraldo Cruz e representante da EMTU; 16 cidades na reunião do ParlaMet em Embu

"Prefiro subsidiar diretamente os usuários, através de cartões eletrônicos”, completou. Disse também que uma das soluções para o transporte público é o monotrilho, versão mais leve de metrô, chamada de VLT (veículo leve sobre trilhos), que poderá ser implantada nos corredores da rodovias Régis Bittencourt (BR-116) e Raposo Tavares, por exemplo. Mas disse que o governo não tem nenhum projeto concreto no momento.

A vereadora Maria Cleuza Gomes, a Ná (PT), reclamou da linha entre o Jardim Valo Verde e o Metrô Campo Limpo, cujos ônibus já saem cheios e passam lotados no Jardim Independência. Ela protocolou um documento com queixa, feita ao representante da EMTU (empresa metropolitana de transporte), exigindo solução imediata. Uma moradora da região fez a mesma reclamação em relação à linha Engenho Velho/Metrô Campo Limpo.

O vereador João Leite (PT) defendeu a integração entre os sistemas de transporte sem aumento de tarifas. “Não dá para fazer nenhuma discussão na região metropolitana se não for por meio da integração. O secretário mostrou 20 anos de planejamento da secretaria, mas que não saiu do papel. O metrô da linha 4 está demorando tanto, que nem devia estar com promessa de chegar a Taboão daqui a cinco anos; devia já ter chegado a Embu."

Police Neto (PSD) - que veio a Embu de bicicleta, desde a região do Ibirapuera, em percurso de 25 km em uma hora e meia, acompanhado de dois assessores - defendeu o uso da bicicleta como meio de locomoção em "convivência" com automóveis, sem a segregação da ciclovia, já que é viável em deslocamentos de oito a dez quilômetros, mas admitiu que é preciso "traçar relação de respeito entre o cidadão motorizado e o não motorizado".

O presidente da Câmara paulistana e também do Parlamet apontou que não existe hoje uma política de integrar carros a terminais de metrô e ônibus. "Estacionamento a 35 reais já é um pedágio urbano", desabafou. Criticou a postura das empresas que retiram muitos coletivos de circulação nos fins de semana, deixando os usuários "por horas para encontrar um ônibus”, e defendeu punição com base em "indicador de desempenho do transporte".

O presidente Silvino afirmou, ao final do encontro, que as Câmaras Municipais têm um papel fundamental de articulação para a luta por transportes intermunicipais mais dignos e eficientes, seja na modalidade ônibus, seja por trens ou metrô, e propôs uma articulação metropolitana nesse sentido, em avaliação positiva do encontro, que reuniu cerca de cem lideranças políticas - representantes de 16 municípios da Grande São Paulo - e comunitárias.

(Márcio Amêndola e Adilson Oliveira - Assessoria de Comunicação da Câmara de Embu das Artes)

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