Vereadores discutem tarifa e cobram qualidade em audiência

Por | 10/03/2017

Sócio-proprietário da empresa Transartes, Eric Oshima, apresenta planejamento da empresa a vereadores e público
Foto:Adilson Oliveira/CMETEA

A Câmara de Embu das Artes recebeu na quarta-feira, dia 8, audiência pública do transporte municipal que tratou de melhorias no sistema para prestação de serviço de qualidade à população e do aumento da tarifa de ônibus para R$ 3,80, em vigor desde 6 de fevereiro. A discussão reuniu o secretário de Mobilidade Urbana, Gustavo Arenzon, diretores da empresa Transartes, responsável pelo transporte da cidade, vereadores e moradores, que fizeram perguntas.

Arenzon informou que 38.600 passageiros são transportados por dia em Embu e a frota é de 124 veículos divididos em oito linhas, dos quais 100 circulam diariamente. Ele calculou o custo por passageiro dividido pelo IPK (Índice de Passageiro por Km) - tabela Geipot - e chegou a R$ 4,05. Já a Transartes pleiteava R$ 4,77. "Ao entender que a população não conseguiria arcar com R$ 4,77 nem com R$ 4,05, o governo conseguiu fazer a empresa aceitar R$ 3,80", disse.

O proprietário da Transartes, Eric Oshima, disse que a empresa - que deixou de ser cooperativa - assumiu o transporte de Embu em outubro em contrato de emergência e que colocará novos carros. "Começamos com 35 veículos de grande capacidade, o ônibus. Para o primeiro semestre de 2017, nossa meta era colocar mais 20. Já atingimos em fevereiro, estamos com 55. No segundo semestre, outros 20. A meta até o segundo semestre de 2018 é ter 85 ônibus", disse.

A vereadora Rosângela Santos (PT) disse que ficou "indignada" pela alta da tarifa "de cima para baixo" e cobrou bom serviço. "Já se passou um mês do aumento e não senti melhorias, eu mesma fiquei no ponto e o ônibus demorou 40 minutos", disse. O vereador André Maestri (PTB) disse que logo no anúncio questionou se o reajuste resultaria em qualidade. "No horário de pico, quando o trabalhador volta para casa, é o momento de mais reclamações", apontou.

O vereador Índio Silva (PRB) disse que o aumento foi "um pouco pesado", mas a empresa mostrou os investimentos, com "ônibus novos". Ele cobrou qualidade maior no futuro. "Queremos wi-fi dentro dos ônibus, tomada para carregar celular", disse. O vereador Doda Pinheiro (PT) lembrou que a tarifa subiu (18,8%) três vezes mais que a inflação e pediu a revogação. "O aumento foi abusivo, a minha proposta é que se diminua o valor para a casa dos R$ 3,50", disse.

O vereador Edvânio Mendes (PT) criticou a realização da audiência após o aumento e cobrou eficiência. "Não adianta só pôr carros novos e maiores se a população no horário de pico pega ônibus superlotados", disse. O vereador Hugo Prado (PSB) disse que decretou valor abaixo da tabela Geipot e do que a empresa queria e destacou os ônibus novos. "Sentimos já uma diferença, bem como as quatro linhas gratuitas. Temos muito a avançar, vamos fiscalizar", disse.

Moradores e lideranças comunitárias questionaram a "falta de diálogo" com a sociedade para definição da tarifa, se a audiência teve a devida publicação legal e divulgação pública, o transporte de Embu percorrer menor distância e ser mais caro que o ônibus intermunicipal e não ter qualquer integração. Um professor sustentou que o número de passageiros em Embu aumentou e pela lógica da fórmula usada a tarifa deveria ter valor menor, em torno de R$ 3,50.

O diretor operacional da Transartes, Wilmar Lopes, disse ter "total total interesse de 'puxar' os passageiros". "Senão não ganhamos dinheiro. Só que temos 380 funcionários, somos humanos, vamos falhar", disse. Ele garantiu que "100% dos carros" têm acessibilidade e negou que os 20 ônibus entregues não são novos ou são "reformados". O consultor Marcelo Marques, um dos formuladores da tabela Geipot, disse que o número de passageiros em Embu não cresceu.

Oshima anunciou ainda que a empresa implantará "em menos de 30 dias" os "primeiros" abrigos de ônibus, "bonito, com vidro, amplo", disse. "Queremos ser o melhor transporte da região, não estou aqui para iludir, quero que cobrem a Transartes", afirmou o proprietário. O secretário garantiu que "teve o edital na prefeitura" e que o governo vai acompanhar o serviço. "A secretaria está em cima fiscalizando, estamos no pé quanto ao tempo de espera", disse Arenzon.

(Adilson Oliveira - Assessoria de Comunicação da Câmara de Embu das Artes)

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