Audiência da saúde aponta mais consultas e falta de remédios

Por Assessoria de Comunicação | 2/03/2016

Vereadora Rosana do Arthur (PMDB) fala sobre falta de medicamentos, observada pela secretária Sandra Fihlie (dir.)
Foto:Adilson Oliveira/CMETEA

A Câmara de Embu das Artes recebeu na sexta-feira, dia 26, audiência de prestação de contas da saúde municipal em que a secretaria apresentou dados e números do atendimento e serviços à população nos últimos quatro meses de 2015. Os vereadores Rosana do Arthur (PMDB) e Júlio Campanha (PTB) acompanharam a apresentação, que foi conduzida pela secretária Sandra Magali Fihlie e reuniu cerca de 20 moradores, servidores e assessores parlamentares.

Entre os números de Embu, com população estimada de 260 mil habitantes, a produção ambulatorial foi 13,2% menor em relação ao segundo quadrimestre de 2015. De acordo com a pasta, a implantação do e-SUS (informatização da rede) em todas as unidades prejudicou a coleta dos dados em outubro e novembro. Em 2015 todo, a queda foi de 9,9% em relação ao ano anterior, principalmente nas consultas nos pronto-socorros, mas as consultas de UBS cresceram.

A realização de exames ("procedimentos com finalidade diagnóstica") encolheu 16,8% em relação ao período de maio a agosto de 2015, por conta de queda em raios-X e coletas de urina e ginecológicas. Procedimentos clínicos tiveram redução de 9,2%, ante o segundo quadrimestre, em que diminuíram consultas dos pronto-socorros, administração de medicamos e fisioterapia. Mas, de acordo com a secretaria, o número de consultas em atenção básica aumentou.

"O preconizado pelo ministério é de 2,6 consultas por habitante ao ano. Na urgência e emergência [em pronto-socorros], atingimos 600% do recomendado. Na atenção básica, várias unidades atendem 100% e outras, em torno de 70%, 80%", disse a médica Cláudia Almeida, da secretaria. Com o programa Mais Médicos, pelo qual Embu recebeu 21 profissionais, "tivemos melhora em pré-natal, melhora no acesso à atenção básica", ressaltou a secretária Sandra.

"Tivemos uma contratação de médicos surpreendente. Fazemos dois ou três concursos e seleções por ano para chamar médico, conseguimos fazer captação, não a necessária, há falta ainda. Há unidades que precisam, principalmente, de ginecologista e pediatra", reconheceu Sandra. Em resposta a morador, ela informou que Embu hoje aplica 27% do orçamento em saúde, bem acima do mínimo de 15%, e defendeu a CPMF como fonte de financiamento ao setor.

Uma moradora cobrou reforma do Caps AD (Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e Drogas). Sandra disse que será feito "pequeno reparo em algumas salas", não foi possível intervenção ampla. "Não realizamos por falta de dinheiro, não conseguimos captar recurso. Conseguimos para reforma das unidades básicas, que deve ser feita a cada dois anos, é o ideal. Mas por falta de recurso fizemos no primeiro mandato do prefeito e agora, a segunda", disse.

Moradores apontaram falta de remédios nas UBSs. Sandra disse que a falha se deve principalmente a não fornecimento regular pelo Estado. A vereadora Rosana do Arthur disse esperar solução rápida e sugeriu divulgar à população os remédios de responsabilidade da prefeitura e do Estado. "Estamos com problema de atraso de medicações do Estado. Do mesmo jeito que cobramos da prefeitura, temos que cobrar do governo do Estado os medicamentos", disse.

A baixa presença de usuários motivou também questionamento sobre a realização da audiência pública, que acontece à tarde, em horário de trabalho. "Temos que reavaliar, repensar a forma de participação. Fazemos a audiência para os conselheiros de saúde na semana. Eles aprovam, e não vêm aqui. Eles precisariam vir, mesmo que já tenham visto [os dados]. Há um debate grande na reunião do conselho. O debate aqui também é importante", disse a secretária Sandra.

(Adilson Oliveira - Assessoria de Comunicação da Câmara de Embu das Artes)

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