Vereadores votam plano de educação sem ideologia de gênero

Por Assessoria de Comunicação | 18/06/2015

Integrantes das igrejas Católica e evangélicas protestam contra "ideologia de gênero" no texto original de plano de educação
Foto:Adilson Oliveira/CMETEA

Vereadores de Embu das Artes aprovaram o Plano Municipal de Educação, que define as diretrizes pedagógicas e investimentos na área nos próximos dez anos, com plenário lotado por religiosos e fiéis da Igreja Católica e denominações evangélicas, nesta quarta-feira dia 17. Os grupos cristãos compareceram à sessão em manifestação contra o conceito de ideologia de gênero, que constava no texto original, mas foi retirado do projeto de lei enviado pelo Executivo à Casa.

Vereadores fizeram coro em rejeitar a generalização de sexo. “Quero deixar claro que no nosso Plano Municipal de Educação não se fala em ideologia de gênero”, disse o presidente Ney Santos (PSC) logo no início dos trabalhos, sob palmas que permearam a sessão a cada pronunciamento contrário. “Estava cogitado que entraria na pauta ideologia de gênero, mas desde a semana passada foi retirada essa cláusula. A família é a base da sociedade”, disse Júlio Campanha (PTB).

Doda Pinheiro (PT) leu o Catecismo da Igreja Católica para se opor à ideologia de gênero. “Há mais de um mês já tinha me posicionado contrário, e trabalhava para que fosse suprimida do projeto de lei final”, disse. Dra. Bete (Pros) disse que em Embu o conceito estava vetado. “Quero ter minha filha e poder pôr o nome como menina, não deixar para quando decidir o que vai ser. Essa ideologia fala para ver se vai ser menino ou menina, e não podemos quebrar o preceito natural”, falou.

Jefferson do Caminhão, que anunciou saída do PR e filiação ao PSDB, disse que Deus criou o homem e a mulher para possibilitar descendência e “dois homens ou duas mulheres não podem gerar filho”. “A ideologia de gênero surgiu para destruir a família”, afirmou. Jabá do Depósito (PTC) disse “sou a favor do projeto, mas sem a ideologia de gênero”. Rosana do Arthur (PMDB) ressaltou a união das igrejas e disse ser contra a ideologia de gênero e votar, “sim, a favor da família”.

Edvânio Mendes (PT) disse que “a educação tem papel preponderante na vida dos nossos filhos, mas não colocar a discussão de gênero no currículo escolar de 1ª à 4ª série para orientar se têm que ser menino ou menina”. João Leite (PT) ponderou que “a educação é muito maior que isso” e defendeu debater mais sobre o tema. Clidão do Táxi (PC do B) avaliou se tratar de uma “questão macro que precisamos solver”. “Deus deixou o homem e a mulher, fui criado assim, não quero mudar.”

“O plano de educação é muito bom, mas vamos votar contra a ideologia de gênero, eu quero que meu filho me chame de pai até morrer”, disse Carlinhos do Embu (PSC). “Na verdade, vamos votar a favor, no nosso projeto não tem a ideologia de gênero, tiramos antes, para não ter necessidade de discussão”, disse Luiz do Depósito (PMDB). “Já está decidido. Para os que são a favor, é só se candidatar, vencer a eleição e defender a sua crença. Somos contra”, falou Gilson Oliveira (PT).

O plano de educação foi aprovado com 13 votos. “O Doda leu, releu as mais de 50 páginas e encontrou algo que teve que mudar. A secretaria ouviu estes vereadores que foram unânimes em aprovar, a quem parabenizo, principalmente o relator, Doda”, salientou Gilson. Ney Santos disse que “os vereadores ficaram duas semanas discutindo o projeto" e com contribuição de lideranças de igrejas e não religiosas escreveram "momento histórico" ao aprovar o plano sem “esse maldito parágrafo que foi tirado”.

O padre Gian Ruzzi e o pastor Marco Roberto da Silva, convidados para ocupar a mesa-diretora, alertaram, em tribuna, que a ideologia de gênero visa combater a família e agradeceram os vereadores pela exclusão do conceito do plano de educação. Sobre o tema, Ney Santos e demais parlamentares apresentaram moção de apoio pela luta das igrejas Católica e evangélicas contra a ideologia de gênero, proposta para os municípios na confecção dos planos de educação.

LDO
O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que estabelece as prioridades e metas administrativas no próximo ano, também foi aprovado. Poderá ser discutido e reavaliado no segundo semestre, até dezembro, quando deverá ser aprovado o orçamento. Na esfera da municipalidade, Luiz do Depósito apresentou moção de aplauso pela Guarda Civil Municipal. Rosana do Arthur condenou que o responsável pelo acidente que causou a morte do GCM Renildo Santos já tenha sido solto.

Os vereadores também aprovaram moção de apelo para que o cartório da 391ª Zona Eleitoral volte a ter sede na sua região de abrangência – periferia da cidade – e moção de apoio à manifestação da OAB-SP contra projeto de lei federal que extingue a exigência do exame da Ordem para exercício da advocacia, ambas de autoria do colegiado. Também foi aprovada moção de aplausos a Rosalvo Salgueiro, do Movimento Terra de Deus, Terra de Todos, iniciativa de Carlinhos de Embu.

(Adilson Oliveira - Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal)

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