Vereadores apoiam MTST e repudiam atos na Parada Gay em SP

Por | 11/06/2015

Vereadores em sessão com plenário lotado por militantes do MTST por moradias no Jardim Batista
Foto:Adilson Oliveira/CMETEA

Vereadores de Embu das Artes receberam na sessão nesta quarta-feira dia 10 de junho integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, que lotaram o plenário da Câmara e chegaram a bloquear a frente do Legislativo durante manifestação. O MTST buscou a ajuda dos parlamentares contra entrave da Cetesb (companhia ambiental) a moradia popular em uma área no Jardim Batista. Uma moção de apoio ao movimento foi proposta na hora e aprovada por unanimidade.

Desde 16 de maio, cerca de mil famílias ligadas ao movimento ocupam no bairro uma área – abandonada – particular, mas em zona especial de interesse social (Zeis), destinada a moradia popular. Os vereadores destacaram a mudança de zoneamento do local durante elaboração do Plano Diretor e manifestaram total apoio aos integrantes do MTST, encabeçados pela líder Vanessa Souza, para destravar o processo, além de criticarem o órgão ambiental do governo do Estado.

“Quando é para a Cetesb liberar um simples pedaço de terra, tem toda essa dificuldade, é incrível. Se tiver que ir ao governo do Estado, vamos juntos”, disse Luiz do Depósito (PMDB). “A Cetesb não pode barrar, como já barrou a nossa universidade [no parque da Várzea], que podia estar quase pronta. Estamos tendo sempre problema com a Cetesb. Sou solidária ao movimento”, disse Dra. Bete (Pros), que reside próxima à ocupação e destacou a organização do MTST.

João Leite (PT) ponderou que o MTST “precisa focar o local certo” e cobrar na Cetesb. “Eu me proponho a ir”, disse. Edvânio Mendes (PT) disse que o “passo” do MTST de buscar o apoio dos “representantes do povo” foi “legítimo” e apenas o início. Doda Pinheiro (PT) pediu que “a mesma pressão que estão fazendo sobre esta Casa de Leis e sobre o governo municipal, que são parceiros de vocês, façam também sobre a Cetesb, que trava qualquer empreendimento de moradia popular”.

Clidão do Táxi (PC do B), líder do governo, leu mensagem de Chico Brito (PT) em que o prefeito lembra que a área se tornou Zeis, “aprovada por esse Legislativo em 2011”, e “reforça” apoio ao MTST. O presidente Ney Santos (PSC) disse que os 15 vereadores estão à disposição do sem-teto. “Não só no discurso, na hora que quiserem ir à Cetesb ou ao palácio do governo, podem contar conosco”, disse. Após a sessão, os parlamentares fizeram reunião com comissão do movimento.

DESRESPEITO
A sessão foi marcada por repúdio a simulação de crucificação de uma transexual e abuso de símbolos religiosos durante a Parada Gay em São Paulo. “Não sou preconceituoso, respeito os homossexuais, mas sou contra esse tipo de acontecimento, patrocinado com verba pública, enquanto o povo padece sem saúde, precisa de educação, de moradia. É uma vergonha”, disse Doda Pinheiro. Luiz do Depósito disse que foram gastos milhões para “bagunça” e “desmerecer as religiões”.

Jefferson do Caminhão (PR) exigiu respeito e que “as nossas autoridades tomem providências para impedir novas agressões à nossa fé”. Dra. Bete afirmou que “aquela marcha feriu todos os brasileiros”. “Infelizmente, o [grupo] LGBT acabou com todo respeito que tínhamos por aquelas pessoas”, disse. Gilson Oliveira (PT) falou que, por ato de menor gravidade do que na Parada Gay, Sodoma e Gomorra “foram engolidas pela terra”. “O que fizeram é inadmissível”, disse.

“Havia famílias que acompanhavam o movimento sério, e hoje não querem mais”, disse Rosana do Arthur (PMDB). Ney Santos também condenou com veemência ao exibir imagens constrangedoras. “O que mais me dói é que pessoas hoje morrem na fila dos hospitais, crianças não têm educação de qualidade, pessoas não têm moradia, e aquela pouca vergonha é patrocinada com dinheiro de quem? Nosso”, declarou. Moção de repúdio aos atos do evento foi aprovada.

GCM RENILDO
Na sessão, em que receberam a visita do vereador de Barueri Saulo Góes (PRB), os parlamentares também expressaram consternação pela morte do guarda municipal Renildo Paulino Silva dos Santos, de 34 anos, ao ter o carro atingido por um veículo que participava de racha em avenida de São Paulo. Uma moção de pesar pela perda do GCM foi aprovada. Proposta por João Leite, outra moção em luto foi pela morte do deputado estadual cearense Welington Landim (Pros). 

(Adilson Oliveira - Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal)

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