Pesquisadora defende cotas para mulheres na política

Por Assessoria de Comunicação | 9/09/2010


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quinta-feira, 11 de março de 2010



A programação do Dia Internacional da Mulher também chegou à Câmara Municipal de Embu. Além dos buquês de flores entregues, durante a sessão dessa quarta-feira, dia 10 de março, para as vereadoras Beth e Ná, o plenário recebeu três mulheres de fibra: Angélica Fernandes, da Coletiva Nacional de Mulheres do PT, Luciana Rosa Campos, coordenadora do Centro de Referência da Mulher (CRM) e Marisa Araújo Silva, Assessora da Promoção de Igualdade Social.


Jornalista e mestranda em Ciências Sociais, Angélica falou sobre as dificuldades que as mulheres encontram para ocupar espaços de poder. Para se ter uma idéia, o Brasil conta, hoje, com apenas 8,9% de mulheres no Congresso Nacional, cerca de 12% nas Assembléias Legislativas e 12% nas Câmaras Municipais.

Só na região do Conisud (Embu, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra e Taboão da Serra), dos 66 vereadores, apenas seis são mulheres. Embu e Juquitiba têm duas vereadoras cada. As câmaras de Taboão e São Lourenço, por exemplo, não têm mulheres e embora 52,4% do eleitorado desses municípios seja feminino, apenas o município de Juquitiba é comandado por uma mulher: Maria Aparecida Maschio Pires, do PDT.

Por essa razão, Angélica defende as cotas para mulheres na política. "Se as coisas continuarem como estão vamos demorar mais quatrocentos anos para ocupar os mesmos espaços de poder que os homens ocupam atualmente ", justificou.

De fato, falar em cotas para mulheres na política gera muita polêmica. Mas no Brasil, segundo Angélica, o sistema de cotas para mulheres ainda é pouco eficaz, porque não pune os partidos que não a preenchem e não tem mecanismos para garantir que os partidos invistam nas candidaturas das mulheres. "Ainda assim tivemos muitas dificuldades para implantar o atual sistema de cotas porque os homens pensam que quando separamos 30% das vagas para mulheres tiramos 30% de homens", comentou.
Embu terá Secretaria das Mulheres

Durante o evento o vereador Milton do Rancho disse que irá apresentar um projeto de criação de uma Secretaria das Mulheres. "Tenho certeza que nosso prefeito Chico Brito vai gostar da idéia", disse. Ele elogiou ainda a atuação da vereadora Ná. "Já fui contrário ao sistema de cotas para as mulheres, mas hoje admiro muitas as vereadoras da nossa casa", disse. "A vereadora Na é uma guerreira, é uma senhora vereadora", comentou.

Angélica também disse que é difícil conseguir o apoio dos homens na hora de se lançar a uma candidatura. A própria vereadora Ná comentou que quando quis entrar na política teve que contrariar seu então marido, o ex-prefeito de Embu Geraldo Cruz. "A nossa luta é longa e ainda está ganhando espaço. Temos que os ajudar pra que cada vez mais mulheres conquistem espaços sociais e de poder", disse a pesquisadora.
Violência contra a mulher

Angélica lembrou que a Lei Maria da Penha, um símbolo da resistência feminista, não está sendo levada a sério nem mesmo por aqueles que deveriam salvaguardá-la. "Nas próprias delegacias tem gente que acha que te que fazer conciliação de casais", disse. "É preciso fazer valer a lei”, completou.

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