Moção de pesar 01/2010

Por Assessoria de Comunicação | 10/09/2010


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CONSIDERANDO que aquele país já enfrentava graves problemas decorrentes da miséria, instabilidade social e política, o que levou a ONU – Organização das Nações Unidas a constituir uma Missão de Paz, chefiada pelo Brasil, para levar socorro, segurança pública, alimentos e outros tipos de apoio social e político àquele país do Caribe;

CONSIDERANDO o falecimento de 20 militares e civis brasileiros que serviam nas Forças de Paz e em Causas Humanitárias no Haiti, em decorrência do referido terremoto;

CONSIDERANDO em especial o falecimento naquele triste evento da médica pediatra Dra. ZILDA ARNS NEUMANN, aos 75 anos de idade, coordenadora e fundadora Internacional da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa;

CONSIDERANDO que seu falecimento deu-se de forma trágica, quando realizava missão humanitária em prol das crianças daquele pequeno país da América Central e Caribe;

CONSIDERANDO que Zilda Arns também acumulava o cargo de representante titular da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) no Conselho Nacional de Saúde, e membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), cargos estes que exercia de forma voluntária;

CONSIDERANDO que Zilda Arns, além de centenas de milhares de voluntários que atuam sob sua coordenação no Brasil e em vários Países, deixa também seu legado aos cinco filhos e dez netos;

CONSIDERANDO que seu trabalho social iniciou-se há 30 anos, com o apoio à Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite (1980), fundação da Pastoral da Criança (1983), Pastoral da Pessoa Idosa (2004), tendo sido indicada ao Prêmio Nobel da Paz em 2006, por seus relevantes serviços às causas humanitárias;

CONSIDERANDO, finalmente, que Dra. Zilda Arns é CIDADÃ EMBUENSE, título que recebeu desta Câmara Municipal através do Decreto Legislativo 073/2001, de 25 de Outubro de 2001, pelo apoio à luta contra a desnutrição e mortalidade infantil em nosso Município, e que juntamente com ela, os brasileiros mortos no Haiti realizavam missão do mais alto valor social e humanitário;

A MESA DA CÂMARA MUNICIPAL DA ESTÂNCIA TURÍSTICA DE EMBU e demais vereadores abaixo-assinados, vem apresentar ao Egrégio Plenário, nos termos regimentais, votos de profundo PESAR pelo falecimento de milhares de Haitianos no terremoto ocorrido em 12 de janeiro, dos brasileiros que desempenhavam Missão de Paz e Humanitária no Haiti, e especialmente da Dra. Zilda Arns Neumann.

Solicitamos ainda, que após a aprovação da presente Moção, seja dada ciência às famílias enlutadas, à Embaixada do Haiti no Brasil, à Pastoral da Criança, em níveis: Municipal, Estadual e Nacional, ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Defesa, Nelson Jobim, à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), ao Sr. Prefeito Municipal de Embu, Francisco Nascimento de Brito, estendendo a todos nossos votos de profundo pesar, em nome dos Vereadores e funcionários da Câmara Municipal da Estância Turística de Embu.

 


Sala das Sessões, 03 de Fevereiro de 2010.


Silvino Bomfim de Oliveira Filho – Presidente

Gilvan Antonio de França – Vice-Presidente

Luiz Carlos Calderoni – 1o Secretário

Elisabete Alves Carvalho – 2a Secretária

VEREADORES:

Aparecido Pereira Dias (Didi)

Arthur Almeida

Carlos Pires de Lima

Edgardo José Cabral


João Bernardino Leite

José Carlos Ferreira de Proença

Júlio César Campanha

Maria Cleuza Gomes (Ná)

Milton Arenzon (do Rancho)



AS VÍTIMAS BRASILEIRAS NO HAITI

Soldado Tiago Anaya Detimermani (Cabo post morten)

Morador de Cachoeira Paulista, no Vale do Paraíba, o soldado Tiago Anaya Detimermani, 23 anos, no Haiti desde julho, preparava-se para retornar ao Brasil. Quando aconteceu o terremoto, Detimermani concluía seu último dia de trabalho na missão de paz capitaneada pelo Brasil. Após ser retirado com vida dos escombros, o soldado seria levado para um hospital nos EUA, mas não resistiu aos ferimentos. Detimerman estava lotado no 5º Batalhão Infantaria Leve de Lorena (SP).

Primeiro-tenente Bruno Ribeiro Mário (Capitão post morten)

Nascido em São Gabriel, Bruno completaria seis meses na missão de paz no país caribenho e estava programado para voltar ao Brasil poucos dias depois do terremoto. A família o esperava a tempo de comemorar seu aniversário em Santa Maria. O rapaz estudou no Colégio Militar de Santa Maria e, há quatro anos, servia em São Paulo.

Segundo-sargento Davi Ramos de Lima (Subtenente post morten)

Pernambucano de nascimento, o segundo-sargento Davi Ramos de Lima morou desde a infância em João Pessoa, na Paraíba. Após seis meses no Haiti, ele retornaria ao Brasil em breve. Há 15 anos no Exército, Lima era casado e deixa mulher e três filhos, todos residentes em Lorena, São Paulo.

Cabo Douglas Pedrotti Neckel (Terceiro-sargento post morten)

Natural de Cruz Alta, o gaúcho de 23 anos era o aluno 01 da turma de cabos e foi considerado o melhor praça do 5º Batalhão Infantaria Leve de Lorena (SP) em 2008. Radicado com a família no interior de São Paulo há 14 anos, sempre sonhou em servir o Exército e chegou a trancar o curso de Administração na Faculdade São Joaquim quando surgiu a oportunidade de embarcar para o Haiti, de onde retornaria em breve, mas acabou sendo atingido pela tragédia.

Cabo Washington Luis de Souza Seraphin (Terceiro-sargento post morten)

Com 23 anos e no Haiti desde junho passado, o militar tinha a volta prevista para breve. Ao retornar, ele pretendia retomar a faculdade de Biologia, que havia trancado para integrar a missão de paz e casar com Najara Alves de Abreu, 23 anos, com quem namorava havia sete anos.

Subtenente Raniel Batista de Camargo (Segundo-tenente post morten)

O subtenente Camargo, 42 anos, conversou com a filha horas antes de morrer no terremoto que arrasou o Haiti. Ele foi sepultado em Pato de Minas (MG), sua terra natal. No Exército há 21 anos, o militar ingressou na escola de sargentos, em Três Corações, em Minas Gerais. Depois que se formou passou por Brasília (DF), Assis Brasil (AC), Natal (RN) e Botucatu (SP).

Soldado Antônio José Anacleto (Cabo post morten)

De acordo com Sônia Mara Anacleto, irmã de Anacleto, a família preparava uma grande festa para comemorar a chegada do militar, prevista para breve. Solteiro e fanático por futebol, o corintiano Anacleto era o mais novo de quatro irmãos. Vivia com eles e o pai em uma casa humilde do bairro CDHU, na periferia de Cachoeira Paulista (SP). Estava há cerca de sete anos no Exército.

Coronel João Eliseu Souza Zanin (General de Brigada post morten)

O coronel dedicou 30 anos ao Exército brasileiro. Partiu para o Haiti alguns dias antes dos tremores. A família é de Campinas e já morou em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, devido às constantes transferências do coronel. Em 2003 e 2004, o coronel atuou em Santa Maria. Atualmente ele morava em Brasília.

Soldado Felipe Gonçalves Julio (Cabo post morten)

Natural de Lorena (SP), o soldado Felipe era casado, tinha 22 anos e servia no 5º Batalhão de sua cidade. Em seu perfil na Internet demonstrava orgulho por fazer parte do Exército.

Major Márcio Guimarães Martins (Tenente-coronel post morten)

Servia no Gabinete do Comandante do Exército e se encontrava desempenhando a função de Oficial de Estado-Maior do Batalhão de Infantaria de Força de Paz do Haiti (BRABATT), no 12º contingente brasileiro da missão.

Tenente-coronel Marcus Vinícius Macedo Cysneiros (Coronel post morten)

Servia no Gabinete do Comandante do Exército. Encontrava-se desempenhando as funções de Observador Militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah).

Coronel Emílio Torres dos Santos (General de Brigada post morten)

O coronel do gabinete do Comandante do Exército em Brasília estava no Haiti desde maio passado. Até agora, ele é o único brasileiro da Minustah na lista oficial de mortos, segundo o Exército. Paraquedista, o coronel foi comandante do 26º Batalhão de Infantaria Paraquedista, unidade de elite do Exército. Carioca, deixou mulher e duas filhas. Em março do ano passado, foi condecorado com a Ordem do Mérito Militar.

Segundo-sargento Leonardo de Castro Carvalho (Primeiro-sargento post morten)

Nascido em São João del Rey (MG), o segundo-sargento Leonardo tinha 29 anos e morava em Lorena (SP), onde servia no 5º Batalhão de Infantaria Leve. Estava no Haiti havia seis meses e retornaria ao Brasil no fim do mês em que ocorreu a tragédia.

Cabo Arí Dirceu Fernandes Júnior (Terceiro-sargento post morten)

Cabo do Exército, natural de São Vicente (SP), servia no 2º Batalhão de Infantaria Leve de São Vicente, antes de seguir para o Haiti, em 2004. Preparava-se para voltar em breve. Tinha 23 anos e teria se apresentado como voluntário para ir ao Haiti. Solteiro, seu sonho era seguir carreira no Exército. Foi homenageado em missa na capela do 2º Batalhão, em São Vicente.

Soldado Kleber da Silva Santos (Cabo post morten)

Natural de São Vicente, o soldado servia no 2º Batalhão de Infantaria Leve. Tinha 22 anos, era solteiro, e estava no Haiti desde seus 18 anos, em 2006. Voltaria para o litoral paulista em breve. Também foi homenageado em missa realizada na capela do 2º Batalhão, em São Vicente.

Terceiro-sargento Rodrigo de Souza Lima (Segundo-sargento post morten)

Natural de Barra do Piraí (RJ), o terceiro-sargento Rodrigo tinha 24 anos e servia no 5º Batalhão de Infantaria Leve, em Lorena (SP). Retornaria em breve ao Brasil, mas foi atingido mortalmente pelo terremoto.

Soldado Rodrigo Augusto da Silva (Cabo post morten)

O soldado deixou a cidade natal, Cachoeira Paulista (SP), para servir a 18 quilômetros dali, em Lorena. Aos 24 anos, era solteiro e também retornaria em breve ao Brasil.

Major Francisco Adolfo Vianna Martins Filho (Tenente-coronel post morten)

O major Francisco Adolfo Vianna Martins Filho era observador militar da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah). Martins estava na lista de desaparecidos brasileiros desde o dia do tremor, mas posteriormente seu corpo foi encontrado entre os escombros.

Zilda Arns

A mais popular entre as vítimas brasileiras é a pediatra e sanitarista Zilda Arns, 75 anos. Fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança — e também da Pastoral da Pessoa Idosa —, a catarinense era conhecida por iniciativas solidárias no Brasil e em comunidades pobres pelo mundo. Estava no Haiti para participar de encontro com religiosos. Representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Zilda era irmã do arcebispo emérito de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns.

Luiz Carlos da Costa

Luiz Carlos era o mais alto funcionário civil brasileiro da Organização das Nações Unidas no Haiti. O Representante Especial Adjunto da ONU era responsável por coordenar as atribuições civis da missão de paz do órgão no país, a Minustah, que ajudava na segurança, no desenvolvimento da polícia local, no desarmamento e desmobilização de rebeldes, além da organização de eleições haitianas. O brasileiro, de 60 anos, servia a ONU há 40 anos e participou de missões na Libéria e Kosovo.

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