Luta por Escola Técnica, Fatec e Universidade Federal ganha vulto na Região

Por | 6/10/2010


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Nos anos 1970 e 1980, o artista plástico Claudionor Assis Dias, ou simplesmente ‘Mestre Assis do Embu’ andava pelas ruas da ‘Terra das Artes’ defendendo a instalação de uma Faculdade de Artes em Embu. Foi por alguns anos assessor da antiga COMTUR (Comissão Municipal de Turismo), depois transformada em Coordenadoria, e finalmente, em Secretaria Municipal.

Escultor ímpar, co-fundador e pioneiro das artes de Embu no início dos anos 1960, Assis sempre se deu mal ao meter-se pela seara da política eleitoral. Assim foi candidato a prefeito (1988), a deputado, sempre defendendo, entre outras coisas, a instalação de uma faculdade em Embu. Esta era uma de suas principais bandeiras, e se alguém tiver algum panfletinho seu da época, poderá ver isto lá inscrito.

Nos anos 1990 um grupo de artistas com o apoio da prefeitura, chegou a inaugurar um Liceu de Artes de Embu (na Avenida São Paulo, num casarão colonial), no que poderia ser o protótipo de uma faculdade regional de artes, mas o Liceu não conseguiu sustentabilidade e fechou, uma pena.

Primeiro pedido da Etec foi em maio de 2007


Nos últimos anos, entre 2007 e 2010 muitas lideranças vêm reivindicando a luta pela Faculdade (pública e gratuita) em Embu e Região, ou até mesmo uma Universidade. Um movimento de jovens da Escola Estadual Amélia dos Anjos (Jd. Vista Alegre) visitou a Câmara de Embu em 30 de maio de 2007 e solicitou escolas técnicas (de nível médio), e uma Fatec para a região, no que tiveram total apoio do presidente do Legislativo à época, Nataniel da Silva Carvalho, o Natinha (hoje vice-prefeito de Embu) e de todos os demais vereadores. Dali, um primeiro abaixo-assinado Pró-Fatec foi organizado a partir da Câmara de Embu em 20 de junho de 2007 (os originais dos impressos foram produzidos pelo Legislativo embuense), citando nominalmente a iniciativa dos alunos da Escola Estadual Amélia dos Anjos. Posteriormente, outro abaixo-assinado mais abrangente foi feito, em nome de vários movimentos sociais, incorporando a luta, tanto pelas Escolas Técnicas, como pela Faculdade de Tecnologia.

Em seguida, o Legislativo realizou a primeira Câmara Itinerante de Embu, na Escola Estadual Amélia dos Anjos, no Jardim Vista Alegre, no dia 31 de agosto de 2007, e lá foi reafirmada a reivindicação pela Etec (Escola Técnica de Nível Médio) e se tocou na questão da Fatec (Faculdade de Tecnologia). Dali, uma série de ações foram realizadas, ampliando a solicitação da Escola Técnica, para também uma Faculdade de Tecnologia, o que até o momento não foi possível, devido à falta de resposta definitiva do Governo Estadual em trazer este benefício para a região.

Um dos ‘padrinhos’ da luta, iniciada pelo abaixo-assinado organizado com apoio da Câmara de Embu a partir de 20 de junho de 2007 é o antigo bispo diocesano de Campo Limpo, Dom Emílio Pignolli. Também participaram e organizaram a luta entre 2007 e 2010 entidades como Grêmios Estudantis, Associações de Bairros, Associações Patronais (como a ACEER, ACE, ACISE), de Trabalhadores (CUT, Sintravale, Bancários de Osasco) entidades Ambientais (como a Associação Ecológica Amigos de Embu), Religiosas (Diocese do Campo Limpo, Pastoral da Juventude, Sociedade Santos Mártires), Consórcios Intermunicipais (CONISUD e CODIVAR), Associações de Vereadores (Uvesp, Aversud e Uvevar) Deputados Estaduais, OAB Embu, Diretoria Regional da CEF (Caixa Econômica Federal), entre outras.

Em outubro de 2007 o então chefe de gabinete da prefeitura de Embu, Chico Brito esteve com o Ministro da Educação, Fernando Haddad e aventou com ele a possibilidade da vinda de uma Escola Técnica Federal para a região sul, particularmente em Embu, e o Ministro na ocasião sugeriu inclusive a possibilidade da vinda de uma Universidade Federal. Brito então trouxe a ideia para Embu e passou a defender a questão.

Em 02 de abril de 2008 o prefeito de Taboão da Serra, Dr. Evilásio Farias (PSB) e o prefeito de Embu, Geraldo Cruz (PT) tiveram um encontro com o Vice-Governador Alberto Goldman para tratar da questão das Etecs e Fatec, a fim de resolver impasses, como a liberação de verbas, renúncia de repasses por parte dos Municípios (como o do Fumefi, no caso de Embu), e a doação de terrenos municipais para as escolas. O prefeito de Taboão, Dr. Evilásio ofereceu terrenos para a Fatec e ETE, mas as negociações correm lentas. Posteriormente o prefeito taboanense ofereceu ao Estado quatro opções de terrenos na cidade, tanto para a Etec como para a Fatec, nos bairros Guaciara, São Judas, Inocoop e Jd. Pedro Gonçalves, e a decisão está nas mãos dos técnicos do Centro Paula Souza, que visitaram a cidade em novembro de 2008. Aliás, tanto Evilásio, como os prefeituráveis Paulo Martins (PSDB) e Chico Brito (PT), já por volta de setembro de 2007 manifestaram total apoio à Faculdade de Tecnologia na região, e defenderam o projeto nas eleições de 2008 (os três foram candidatos a prefeito, Brito (o vencedor do pleito) e Martins pelo Embu, e Evilásio na reeleição por Taboão).

Primeiro passo concreto


De concreto, foi conquistada para breve a Escola Técnica Estadual (ETE) de Embu, em fase final de construção, após acordo do ex-prefeito Geraldo Cruz (PT), que cedeu ao Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, pelo DECRETO MUNICIPAL Nº 023, DE 13/03/2008 um terreno de 6 mil metros quadrados (mais precisamente 6.159,50m²), no Parque Industrial (área pública municipal ao lado da Delegacia e da Câmara Municipal), e abriu mão de 3,4 milhões de reais que o Estado devia à cidade, em forma de transferência de recursos do Fumefi (Fundo Metropolitano de Financiamento e Investimento). O terreno já estava cedido à OAB-Embu, que abriu mão da área, em troca de outro imóvel, para que a Escola Técnica se tornasse realidade. Ou seja, após esforços conjuntos do Estado, Município e Sociedade Civil Organizada, Embu conquistou a Escola Estadual.

A cessão foi sacramentada pela Câmara Municipal de Embu, sob a presidência do então vereador Natinha, que aprovou por unanimidade no dia 23 de abril de 2008 um projeto de autoria do prefeito Geraldo Cruz, objetivando a instalação da chamada ETEC (Escola Técnica Estadual) com cursos profissionalizantes, no terreno cedido pelo município ao Estado (LEI MUNICIPAL Nº 2.313, DE 28/04/2008). A doação do terreno teve de ser refeita por Lei, também aprovada na sessão de 23 de abril (LEI MUNICIPAL Nº 2.314, DE 28/04/2008), mas a alteração foi positiva, já que a área total doada pelo município subiu para mais de 7,5 mil metros quadrados (mais precisamente 7.522,04m²).

Universidade Federal


Em 2009 cresceu a possibilidade de vinda de uma extensão da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) para Embu, após intervenções do novo prefeito, Chico Brito e do ex-prefeito Geraldo Cruz junto ao Ministro da Educação, Fernando Haddad e ao reitor da Unifesp. A solicitação de Embu é que o campus da Universidade seja construído e integrado ao futuro Parque da Cidade, no entorno do trecho sul do Rodoanel, que deve ser concluído e aberto ao trânsito ainda este ano.

Em 26 de fevereiro de 2010 a luta pela Universidade Federal ganhou grande impulso com a realização de um encontro que reuniu mais de 1500 pessoas no Hotel Rancho Silvestre, do qual participaram os prefeitos do Conisud (Consórcio de Municípios da Região Sudoeste), do Codivar (Consórcio de Municípios do Vale do Ribeira), das Uniões de Vereadores dos dois consórcios, vereadores de mais de dez cidades, deputados Estaduais e Federais, além de dois senadores paulistas, Eduardo Suplicy e Aloísio Mercadante (PT). Na ocasião participou também o ministro do Turismo, Luiz Barretto, que abraçou a ideia da Universidade Federal em Embu, em nome do presidente Lula. O prefeito Chico Brito entregou pessoalmente ao ministro e aos senadores um plano básico com maquete eletrônica da Universidade Federal junto ao futuro Parque da Cidade, a ser construído numa área de 1,6 milhão de metros quadrados no entorno do trecho Sul do Rodoanel, e comprometeu-se com a construção do primeiro prédio da Universidade, com recursos da prefeitura de Embu.

A luta pela Universidade Federal, pela FATEC e pela Escola Técnica Estadual (esta sim, a única já conquistada) é maior do que as questões particulares que vem sendo veiculadas por setores da imprensa regional. Se a Universidade for conquistada, por exemplo, será uma grande vitória para os jovens embuenses, mas é preciso também que se continuem as discussões sobre que tipo de curso superior deseja-se para a cidade: Pedagogia? Direito? Administração? Ou cursos que contemplem a vocação de Embu como portal do Mercosul (no cruzamento da BR-116 com o Rodoanel), Terra das Artes e de luta pela defesa ambiental? Ter faculdade simplesmente não é qualificador para nada. Precisamos encontrar e instalar cursos que possam realmente qualificar nossos jovens para o mercado de trabalho, sem perder de vista o fato de que o turismo, a cultura e o meio ambiente são grandes impulsionadores da economia local, como já preconizava o velho Mestre Assis do Embu.


*Márcio Amêndola de Oliveira é Assessor de Comunicação da Câmara Municipal de Embu e graduando em História pela Universidade de São Paulo – USP.

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