Moradores indignados com "descaso" da Sabesp lotam Câmara

Por | 3/02/2011


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Os representantes da empresa foram convocados pelos vereadores, que dedicaram a primeira sessão no ano -- sob a condução da nova mesa-diretora, com o vice-presidente Zé Carlos Proença (PSDB) e o segundo-secretário Edgardo Cabral (PSB) como integrantes estreantes -- para abordar o problema.

Mobilizados pelos parlamentares e lideranças, cerca de 300 munícipes acompanharam a discussão. Indignados, protestaram contra o serviço prestado. “Preciso levantar às 3 horas da madrugada para pegar meio litro de água. São 30 anos sofrendo. É uma vergonha”, desabafou morador do Jardim Dom José. “São 2.500 famílias que mal têm para beber, que dirá para tomar banho”, criticou representante do Jardim Vista Alegre. “Precisamos de água na torneira, temos esse direito, pagamos”, cobrou moradora do Jardim Santa Clara.

“A água chega no começo e no fim da rua, não sobe para as demais casas, quem mora no topo é esquecido. São 17 dias direto sem água, com gente tomando banho na chuva”, reclamou morador do Jardim da Luz. “Há 20 anos brigamos por causa da falta de água em Embu, um só reservatório não dá conta. O não abastecimento é um problema de saúde pública”, lamentou liderança do Jardim Santo Eduardo. “A Sabesp nos deve respeito, só se preocupa com lucro, o que está fazendo é um crime”, reagiu morador do Parque das Chácaras.

Com a palavra aberta pelo presidente da Câmara, Silvino Bomfim (PT), 11 representantes de diferentes bairros – também do Jardim Pinheirinho, Jardim Magali, Parque Esplanada, Jardim Santo Antônio e Jardim Santa Rita –, no total, relataram vários problemas causados pela Sabesp, com predominância da deficiência no abastecimento. “Não está faltando só água, falta é vergonha na cara da parte da Sabesp”, disse o morador de Santo Eduardo e ex-vereador Antônio de Jesus Rocha, em fala na tribuna popular.

Sensibilizados com a “situação de penúria” da população, os vereadores foram firmes em cobrar serviço de qualidade da empresa e falaram em punição para falhas recorrentes. “A Sabesp está agindo com descaso, alguns moradores de determinados bairros estão sem uma gota de água nas torneiras mais de 25 dias. Eles ligam para a Sabesp, que diz que não consta a falta de água. Devemos ser mais rígidos, se os munícipes ficarem mais de 24 horas sem água, tem que aplicar uma multa na Sabesp”, disse Júlio Campanha (PTB), que abriu a série de reclamações.

Em resposta às queixas, o gerente regional da Sabesp, Meunim de Oliveira, disse que para o funcionamento das bombas para distribuir água em Embu é preciso energia elétrica por 72 horas seguidas, mas no “atípico” mês de janeiro ocorreram “sucessivas quedas de energia”. “Com três dias se consegue voltar à normalidade, as casas mais altas sofrem com o retorno, que não é imediato por causa da rede que demora para encher. Vocês também precisam cobrar da Eletropaulo, sem energia as bombas não funcionam”, argumentou.

“A falta de água não é problema de outra empresa, queremos que o senhor dê resposta sobre o serviço de responsabilidade da Sabesp”, retrucou o vereador João Leite (PT). “Quero que o senhor apresente uma resposta concreta para os moradores”, cobrou ainda o presidente Professor Silvino, sobre o “retorno imediato da água”. Silvino e Júlio Campanha reivindicaram em seguida que enquanto não for normalizado o abastecimento a empresa forneça água aos moradores prejudicados em caminhões-pipa.

O gerente se comprometeu a resolver a falta de água em 48 horas -- caso não falte energia -- e enviar veículos para abastecer as caixas d’água das casas, o que disse já ter feito para alguns bairros. A vereadora Dra. Bete (PDT) rebateu, porém, que as famílias no Dom José “ficaram 15 dias sem água sem ninguém da Sabesp ir lá”. “Vocês têm que trabalhar com a comunidade”, advertiu. Presentes, o presidente da Aversud (associação dos vereadores da região), Wagner Eckstein, e o secretário de Governo de Embu, Paulo Giannini, expressaram apoio aos moradores.

Na segunda-feira, dia 7, a Câmara deve realizar uma reunião com a Sabesp e a Eletropaulo para discutir o transtorno no abastecimento e fazer com que as empresas atendam as reclamações dos moradores. “Se não for apresentada nenhuma solução e o problema continuar, vamos ter que organizar os vereadores e reivindicar no governo de São Paulo. A falta d’água no Estado mais rico do país é uma vergonha, chega de discurso, queremos que o problema seja resolvido”, declarou Professor Sivino.

 


Adilson Oliveira-CMETE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Moradores reivindicam normalização do abastecimento em sessão da Câmara


Márcio Amêndola-CMETE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Representante do Parque das Chácaras cobra "respeito" da parte da Sabesp

 

Márcio Amêndola-CMETE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Munícipe do Dom José diz precisar levantar às 3h para ter 1/2 litro de água

 

Adilson Oliveira-CMETE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ex-vereador Toninho diz faltar "vergonha na cara" por parte da empresa

 

Adilson Oliveira-CMETE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Prof. Silvino exige solução para falta d'água, diante de gerente da Sabesp

 

(Adilson Oliveira e Márcio Amêndola - Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Embu)

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