Vereadores ecoam cobrança de moradores por solução contra falta d'água em Embu

Por Assessoria de Comunicação | 4/02/2011


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Os moradores prejudicados foram mobilizados por lideranças e pelos parlamentares, que reclamaram da empresa também por outros problemas.

Num ambiente tenso, os vereadores começaram a falar, já no “pequeno expediente” da sessão, sobre os problemas de abastecimento no município. Júlio Campanha (PTB), que abriu o leque de queixas, reportou o não fornecimento em vários bairros e que Jardim São Marcos, Jardim dos Moraes e Vista Alegre/Servidão estavam 20 ou 30 dias sem água. “A Sabesp é uma empresa estatal, do Estado mais rico do país. Propaganda eles sabem fazer, dizem que tem água, que está tudo normal, mas não está, não tem água”, protestou.

 

“Convocamos esta reunião para vocês resolverem isso”, cobrou o vereador, ao mirar gerentes da Sabesp presentes. Ele prometeu apresentar projeto de lei prevendo multas diárias à empresa quando não prestar o devido serviço e atrasar por mais de 24 horas sem avisar ou após três dias mesmo com aviso de reparos na rede. Um morador o interrompeu para reclamar que pediu ligação de água três meses atrás e não foi atendido. “Calma, cidadão, se ligarem não vai adiantar, não vai ter água do mesmo jeito”, ironizou Campanha.

 

O vereador João Leite (PT) disse que a Sabesp não consegue nem fazer a manutenção preventiva. “No bairro em que moro, na semana passada, informei sobre um vazamento muito grande. A Sabesp deixa a água ir embora enquanto bairros inteiros ficam sem água.” Ele denunciou problemas no Jardim Independência, Parque Pirajuçara e Vazame. “Dizem que vão restabelecer a água às 4 da tarde, mas chega meia-noite e a água não vem. Mas se o povo não paga a conta o fornecimento é cortado rapidamente”, reclamou.

 

“Se não tomarem providências, vamos ocupar o prédio da Sabesp”, ameaçou Leite, que apontou ainda que a empresa não tem caminhões-pipa suficientes para atender os bairros prejudicados e que a prefeitura tem enviado seus próprios carros, mas a população, em alguns casos, tem sido hostil ao serviço como alternativa por ficar tempo prolongado sem uma gota sequer nas torneiras. "Já rompemos o contrato com a Eletropaulo [iluminação pública] e, se for possível juridicamente, vamos fazer o mesmo com a Sabesp”, avisou.

 

Maria Cleuza Gomes, a Ná (PT), disse que os moradores foram à Câmara reclamar que as caixas d’água das casas estão totalmente vazias há muitos dias. “Vocês estão reivindicando o que é justo e seu direito.” Para a vereadora, “a falta de água é um problema muito sério em Embu e em toda a região e só será resolvido com a luta popular”, recusando justificativas da Sabesp, de que os problemas seriam pontuais, apenas em alguns bairros ou ruas. “Os investimentos do governo do Estado no Embu não vêm sendo satisfatórios.”

 

O vereador Milton do Rancho (PMDB) reclamou que “a propaganda da Sabesp é linda, mas não é lindo ficar 20 dias sem água. A vereadora Dra. Bete [PDT] tem fotos de gente tomando banho na chuva!”, denunciou. O vereador Luiz do Depósito (PMDB) disse que “a Sabesp sempre passou uma imagem de que trabalha direitinho, mas terá de explicar o que está ocorrendo agora”. O vereador Zé Carlos Proença (PSDB) elogiou a presença dos representantes da Sabesp na sessão. “Vamos discutir juntos para buscar soluções.”

 

O vereador Carlos Pires (PDT) propôs “plano de emergência para pelo menos diminuir o sofrimento do povo”, ao sentenciar que “não dá para aturar falta de água em pleno século 21”. “Os vereadores já começaram o ano com o pé direito, defendendo os cidadãos. Pacificamente, vamos encontrar uma solução.” Explicou que o ex-vereador Professor Toninho o procurou para relatar o problema e que o presidente Professor Silvino aceitou de imediato realizar uma mobilização popular na sessão também com nova mesa-diretora.

 

O presidente da Câmara, ao iniciar o discurso, foi interrompido pelos manifestantes, que gritavam: “Fala de água, água, água, água!!!” Professor Silvino (PT) disse que a população tem o direito de estar revoltada, por muitos estarem mais de 30 dias sem água, e cobrou que a empresa assuma as próprias responsabilidades e também consequências. “Tem de multar a Sabesp! Ela tem de arcar com o prejuízo quando causa prejuízos à população. Não estamos pedindo nada de graça, nós pagamos pela água”, declarou.

 

“Estamos na mesma luta que vocês. Falta água em toda a cidade, e existe muito esgoto pelas ruas, tenho aqui 200 contas de água com cobrança de esgoto, mas que é jogado em uma nascente sem tratamento, e chega ao rio Embu Mirim”, denunciou o vereador Didi (PT). Silvino também citou que “80% ou 90% do esgoto de Embu não recebe nenhum tratamento” e classificou de “absurdo”. Carlos Pires ainda apontou que a Sabesp é responsável por esgoto a céu aberto e buracos em vias públicas, entre outras irregularidades.

 

Adilson Oliveira-CMETE

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Campanha, fora da mesa e de pé diante do público, reclama contra a Sabesp

 

(Adilson Oliveira e Márcio Amêndola - Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Embu)

 

 

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